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Conheça a emocionante história de Somnus, o mais novo mutante gay da Marvel

Na última quarta-feira a Marvel publicou nos EUA o especial “Marvel Voice’s: Pride“, um especial dedicado inteiramente a comunidade LGBT. Desde os personagens que protagonizam as histórias, até as equipes criativas que as produzem, todos fazem parte da comunidade.

Um dos destaques da revista foi a introdução de Somnus, um novo personagem que é mutante, latino e gay. A concepção do herói foi desenvolvida pelo escritor Steve Orlando (Darkhold) e pelo desenhista Luciano Vecchio (Campeões) e a sua história no especial Pride foi desenhada por Claudia Aguirre (Hotel Dare).

Somnus é a alcunha de Carl Valentino, um mutante nascido lá pela década de 30/40 e que possui a habilidade de controlar os sonhos. Tanto é que seu nome heroico é uma referência ao deus romano que personificava o sonho.

A história do personagem retoma o ano de 1967, quando ele conheceu Daken, filho do Wolverine e bissexual. A dupla chegou a casar e viver uma vida inteira juntos … mas tudo não passou de um sonho. Devido aos poderes de Carl, eles viveram uma vida inteira em uma noite.

Na época Daken ainda estava decidido a buscar vingança e matar o seu pai, então deixou Carl, que seguiu a sua vida normal. Os pais de Valentino faleceram, ele precisou cuidar dos seus irmãos. Colocou a família na frente de si mesmo. Acabou nunca confrontando o armário, afinal, era uma época diferente.

Valentino casou, teve filhos, teve netos, mas encontrava a felicidade durante a noite, em seus sonhos. Passou cerca de 50 anos rodeado por uma enorme família que o amava … mas não o conhecia.

Quando ele faleceu, de forma pacífica e tranquila, Daken usou os Protocolos de Ressureição de Krakoa para trazê-lo de volta a vida. Carl Valentino voltou como o jovem rapaz que havia se relacionado com Daken, ganhando uma segunda chance.

Quando entrevistamos o Luciano Vecchio aqui no site, ele comentou brevemente sobre a ideia por trás de Somnus: “Somnus representa a segunda chance que muitas gerações de pessoas LGBT em nossa comunidade não tiveram, de viver uma vida plena e orgulhosa. Ele é uma ponte que conecta nosso presente à nossa história, e é uma ponte feita de sonhos.

Ou seja, a segunda chance que Luciano se refere, não é apenas o fato de poder viver novamente. É a oportunidade dele ser quem ele sempre foi. Somnus é gay e viveu a sua vida inteira como um heterossexual. Ele escondeu essa importante parte de quem ele é de todo mundo, inclusive de toda a sua família.

E apesar disso ser uma história em quadrinhos, protagonizada por mutantes com super-poderes e que renascem, essa é uma história super real. Ainda hoje é comum que pessoas da comunidade LGBT finjam ser aquilo que não são, escondendo a própria identidade por medo do preconceito, do ódio e da rejeição.

Em 1986 a Marvel publicou uma das suas mais emblemáticas histórias. Novos Mutantes #45 foi dedicada para contar a história de Larry Bodine, um jovem que tinha vergonha de ser mutante e medo disso se tornar público.

Seus colegas de classe descobriram que ele ficava apavorado se o chamassem de mutante (na verdade era medo de que seu segredo fosse revelado) e começaram a praticar bullying. Certa vez enviaram uma carta e ligação anônimas, dizendo que eram do X-Factor, que sabiam que ele era mutante e iriam lhe capturar. O garoto, no auge do seu desespero, com medo de que se tornasse público que ele era um mutante, acabou cometendo suicídio.

A história termina com Kitty Pryde fazendo um discurso, em homenagem a Larry, na sua escola. O autor dessa HQ foi Chris Claremont, o maior roteirista dos X-Men de todos os tempos. Ele co-criou quase tudo o que você ama na franquia mutante. E essa edição fez uma claríssima metáfora entre o preconceito sofrido pelos mutantes e o preconceito sofrido pela comunidade LGBT.

Muitos leitores questionam também como o Homem de Gelo pode ter se revelado como gay em 2014, se ele ao longo das décadas namorou várias mulheres? É a mesma situação de Somnus, ele tentou fingir ser o que não era. Tentou se adequar a um padrão no qual não seria hostilizado pela sociedade.

Mas, felizmente, ele conseguiu se assumir. E é muito importante que todos tenham o direito e a tranquilidade para se conhecer e assumir a sua própria identidade. E isso só será possível em um mundo com menos preconceito e ódio.

E sejamos francos, não é pedir muito, né? Deixem as pessoas serem o que elas são. É muito simples. O problema é que o preconceito muitas vezes acaba vindo de quem deveria dar apoio, carinho, amor e suporte: a família. Seja com pais, avós, tios ou mesmo irmãos homofóbicos.

Esse assunto, inclusive, foi tema da revista solo do Homem de Gelo. Ele foi contar para os seus pais que era gay e enquanto esperava receber suporte, ganhou apenas mais preconceito. Infelizmente essa história nunca foi publicada no Brasil pela editora Panini.

Mas voltando ao assunto central para finalizar: e quanto ao Somnus? Ele ganhou um uniforme bem a cara dele, produzido pelo maior estilista mutante. A Marvel promete que o veremos mais dele em 2022, em um projeto secreto e ainda não anunciado. Então só nos cabe esperar.

Mas e então, caro leitor, o que achou do Somnus? Muito importante e criativa a sua história, não? Deixe a sua opinião nos comentários.

Mês do Orgulho:

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