EXCLUSIVO: Scott Lobdell fala sobre como foi substituir o Claremont nos X-Men e tirar o Estrela Polar do armário

Um dos principais convidados da CCXP 2018 foi Scott Lobdell, um dos grandes escritores dos X-Men nos quadrinhos. O nosso redator, Gustavo Monlevad, conversou com o autor no evento e conseguiu uma entrevista exclusiva.

Lobdell falou sobre como foi substituir Chris Claremont nos X-Men e tirar o Estrela Polar do armário. Confira a entrevista:

GUSTAVO: Quando você começou a escrever os X-Men, Chris Claremont havia sido o último roteirista com a equipe. Naquela época, você tinha noção da responsabilidade que você tinha em mãos? Como você lidou com isso?

LOBDELL: Eu tive bastante sorte, porque naquela época eu precisava sempre entregar o trabalho já no dia seguinte. Então eu não tinha muito tempo para pensar nisso. Só me preocupava se o script era bom o bastante para que eu pudesse avançar para o próximo. Então nunca passava pela minha cabeça que eu era o cara que estava escrevendo a revista dos X-Men; achei que seria só um substituto por seis edições até que encontrassem outro roteirista. Então isso foi bom, porque tirou a pressão de mim.

GUSTAVO: É engraçado, porque alguns roteiristas, como o Jonathan Hickman, sempre brincam sobre como é difícil escrever os X-Men, porque os fãs nunca estão satisfeitos.

LOBDELL: Felizmente, todo mundo ama a minha fase (risada irônica).

GUSTAVO: Eu amo (risadas).

GUSTAVO: Até hoje, uma das histórias mais populares da Marvel é a ‘Era do Apocalipse’. Agora, a Marvel está para lançar a ‘Era do X-Man’. Qual foi o processo para escrever a sua ‘Era do Apocalipse’ e como você se sente sobre essa nova revista?

LOBDELL: Hoje em dia já aconteceram tantos crossovers que as pessoas nem sempre lembram que [a Era do Apocalipse] foi o grande “pai” desses eventos. Naquela época, nós estávamos fazendo algo que nunca havia sido feito antes. ‘Guerras Secretas’ já havia sido escrita, já existiam grandes histórias, mas a ousada ideia de cancelar todos os gibis e relança-los… hoje em dia é mais comum, mas naquela época foi uma loucura. Então foi bem divertido, porque fizemos algo que nunca havia sido feito. E também foi divertido porque pudemos nos desafiar a fazer coisas novas.

GUSTAVO: Essa foi a minha primeira história dos X-Men. Meu primeiro grande evento.

LOBDELL: Ah, então você foi um pouco mimado.

GUSTAVO: Exatamente (risos).

LOBDELL: Sobre [a Era do X-Man], eu espero que seja boa. Boas histórias são sempre bem-vindas. Estou interessado em ver o que estão fazendo e estou feliz que eles não estão só escrevendo outra ‘Era do Apocalipse’. Acho que vai ser bem legal.

GUSTAVO: Os X-Men sempre foram sobre responsabilidade social e sobre como as pessoas lidam com o preconceito. Como você enxerga a importância dos X-Men para os dias de hoje, nesses tempos em que vivemos?

LOBDELL: Eu acho que a mídia tem essa obsessão em nos colocar como pessoas totalmente diferentes umas das outras, mas eu não acho que a maioria de nós realmente pensa assim. A gente vive ouvindo que “o mundo está cheio de ódio”, mas acho que quando você realmente conhece as pessoas, vê que somos uma espécie cheia de amor e que nos apoiamos. Então eu discordo dessa afirmativa midiática.

O que eu achava interessante enquanto escrevia os X-Men era que todos os grupos de pessoas gostavam deles porque cada um se identificava de uma forma, como se sempre fossem eles os “diferentes” representados. Mulheres, negros, gays… e se todo mundo se sente um “estranho”, então somos todos “estranhos” juntos. Então acho que por isso os X-Men fazem com que cada grupo sinta bem e representado, mas acredito que, no fim, somos pessoas melhores do que os outros tentam nos apontar.

GUSTAVO: Falando disso, você escreveu a ‘Tropa Alfa #106’, a edição que introduziu o primeiro super-herói abertamente gay[: Jean-Paul Beaubier, Estrela Polar]. Existem várias versões de como foi isso pra época, de pessoas dentro da Marvel não aceitaram a história, de pessoas que aceitaram. Como foi? Como você fez para que a equipe e o editorial realmente abraçasse a sexualidade do Jean-Paul?

LOBDELL: Na época, eu tinha pra mim que o Jean-Paul era tão detestável com os outros porque ele queria que as pessoas odiassem ele antes, para que não o odiassem mais tarde, quando descobrissem que ele era mutante, ou gay. Ele era sempre esse “babaca” por isso. Então a minha ideia foi tirar o que ele mais temia, que era que descobrissem sobre sua sexualidade. Então eu disse a minha ideia para a editora da época. E o irmão dela é gay, então ela achou legal. E aí a gente lançou isso como se não fosse nada demais, até porque o personagem era pra ser gay desde que foi criado pelo John [Byrne]. O que fizemos foi só falar abertamente. Houve uma grande reação sobre isso, mas não lembro de nada negativo [vindo da Marvel]. Só pediram para que eu não desse entrevistas sobre isso por uns dias, porque eles não estavam esperando isso e ainda precisavam se preparar. Mas foi só algo do ponto de vista publicitário. Não me lembro de nenhuma tentativa de impedir que o tema da história fosse retratado.

GUSTAVO: É isso. Muito obrigado, Scott!

LOBDELL: Eu que agradeço!

E então, caro leitor, o que achou da entrevista? Gostou de ver a perspectiva de Lobdell sobre os X-Men, Era do Apocalipse e Estrela Polar? Deixe a sua opinião nos comentários.

Lembramos também que já fizemos outras entrevistas que estão linkadas a seguir. Já conversamos com: Rod Reis, Leonardo Romero, Rodney Barnes, Gerry Duggan e Brandon Montclare.