Inumanos não é tão ruim quanto falam … é muito pior

Inumanos teve uma produção problemática desde o início. Foi anunciada como um dos filmes da Marvel Studios, a ser lançado em 2019. Após alguns ajustes de agenda, quando adicionaram “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” e “Homem Formiga & Vespa” no calendário, os Inumanos acabaram sumindo do cronograma.

Não demorou muito e anunciaram que o projeto estava migrando para a TV. A grande questão é que os personagens são uma iniciativa de Ike Perlmutter, CEO da Marvel e grande “antagonista” (uso esse termo na falta de um melhor) de Kevin Feige, presidente da Marvel Studios. A série porém foi anunciada junto de uma parceria com a iMax, o que estaria garantindo efeitos especiais dignos de cinema, fora a exibição nas salas iMax do mundo inteiro.

O problema começou devido ao curto espaço de tempo em que tudo foi feito. A série foi anunciada em novembro de 2016 e em outubro de 2017 já estava sendo exibida. Ou seja, não houve tempo para se trabalhar questões como roteiro, design, figurino e efeitos especiais. Tudo foi realizado as pressas.

Isso ficou nítido quando começaram a sair as primeiras imagens oficiais de divulgação, já por maio de 2017. Apesar de visualmente os figurinos e maquiagens estarem de acordo com os quadrinhos, tudo parecia muito “pobre”. Não condizia com o padrão Marvel. Muita gente fez piada comparando com novelas brasileiras … e realmente bate com algumas produções de baixo orçamento nacionais.

Então a série estreou e surgiu a primeira onda de reviews negativas que basicamente avacalharam com o programa. As opiniões mais positivas nem falavam que a produção era boa, apenas que “não era tão ruim”. E eu faço parte desse coro.

O episódio piloto de Inumanos

O Episódio Piloto de Inumanos basicamente concentra os dois primeiros capítulos da série, que foram exibidos nos cinemas iMax do mundo todo. E eles são não tão ruins assim. Possuem algumas falhas bem grotescas, mas também tem os seus méritos.

Neles somos apresentados ao conceito da Família Real Inumana. Entendemos como essa sociedade vive e quem são os personagens principais, bem como seus poderes. De forma limitada, cada um ganha uma cena expositiva para que o espectador entenda todo o seu potencial.

Destaco aqui o uso do Karnak (Ken Leung), o poder dele realmente é um dos mais difíceis de se adaptar visualmente. Mas encontraram uma solução aplicando uma estática que nas HQs é muito usada no personagem Amadeus Cho.

A estética visual aplicada em Amadeus e Karnak para calcular as probabilidades. Foto: Divulgação.

Para os padrões de uma série de TV, esse piloto teve efeitos especiais bem interessantes. O Dentinho, como já esperávamos, rouba as cenas em que aparece. A nível de atuação, os únicos méritos que consegui encontrar são de Medusa e Raio Negro. A Rainha Inumana (Serinda Swan) replica a caracterização dos gibis, não se mostrando uma mulher frágil e surpreendendo o espectador. Já Raio Negro (Anson Mount) consegue transmitir simpatia e carisma mesmo entre as caras e bocas do ator.

Gorgon (Eme Ikwuakor) e Cristalys (Isabelle Conish) acabam sendo os elos mais fracos. Não ganham destaque, não demonstram uma boa atuação e nem possuem cenas interessantes de ação.

Se comparado a outras produções do gênero de heróis da TV atualmente, ouso dizer que o piloto está com uma qualidade bem na média. O problema foi que o que já não estava bom, conseguiu ficar ainda pior nos dois episódios seguintes.

Os episódios 3 e 4

O que se vê na sequência de capítulos é uma vergonha alheia. A série claramente não se deu o tempo necessário para produzir algo digno. O roteiro é tão básico que possivelmente uma criança poderia elaborar algo mais criativo. Maximus iniciou uma rebelião e o Dentinho enviou cada membro da Família Real para uma parte do Havaí.

Só isso já é um problema, pois fica nítido que nesses 8 episódios que compõe o programa serão dos personagens tentando se reencontrar. Mas fica ainda pior, pois para cada personagem é introduzido um nicho de coadjuvantes que não terão utilidade alguma.

Karnak vai parar com um grupo de pessoas que estavam plantando maconha na floresta e ele acaba se apaixonando. Gorgon faz amizade com um grupo de surfista que decidem ajudar ele a enfrentar os soldados de Maximus. Medusa acaba topando com uma cientista que pesquisava os Inumanos. Raio Negro é preso e acaba fazendo amizade com um inumano na prisão. E a Crystal recebe ajuda de um havaiano e sua ex-namorada veterinária após o Dentinho se machucar.

Todos esses nichos de personagens geram histórias desnecessárias e que nada irão contribuir com o programa. Soma-se a isso o fato de que o roteiro também resolveu sumir com os poderes de todos. O Dentinho está ferido então não pode se teleportar. Medusa teve o cabelo cortado. Raio Negro segue na mesma, sem poder falar. Karnak bateu a cabeça e perdeu a sua visão estratégica. Já Gorgon e Cristalys que ainda mantém os poderes, mas aparentemente não os usam.

A série também apresenta problemas na direção de arte. Attilan é basicamente um amontoado de concreto. O argumento é que na Lua não existem cores e afins. Argumento muito interessante e que eu compraria, se existisse uma noção de espaço e uma elaboração de designs interessantes. Mas o que vemos são salas vazias e cinza claro, sem cor, sem vida e que não nos dizem nada. No fundo tudo se resume ao fato de que o programa foi feito apressadamente e não deu pra montar nada melhor.

Attilan é uma grande cidade vazia e genérica, sem nada que chame a atenção. Foto: Divulgação.

O roteiro não é consistente nem nas suas partes mais básicas. Medusa, que é a personagem que mais interage com os humanos, por vezes aparenta ser uma ignorante, como na cena em que tenta falar com um caixa eletrônico, mas em outras demonstra uma familiaridade com algumas tecnologias. Fora momentos em que ela invade um condomínio, come a comida do local, assiste TV e vai embora sem que ninguém repare em nada. É tudo muito conveniente nesse roteiro.

Outro problema que vale destacar são os inumanos de apoio, basicamente nenhum rosto conhecido. O tal Mordis, que é pra ser um inumano tão poderoso quanto Raio Negro, é uma mistura de dois mutantes: Xorn e o Ciclope de Era do X. Tem ainda a Iridia, que lembra muito a Fada e Duodon, que tem os poderes semelhantes ao do Artie. E todos são personagens originais, nenhum tem contra-parte nas HQs. Tem um inumanos com a capacidade de prever o futuro, poderiam chamar ele de Ulysses, mas a série não tem esse cuidado de tentar dar um agrado ao fã.

Mordis possui o design de Xorn e os poderes do Ciclope de Era do X.

Maximus é o grande vilão. Nas HQs ele é famoso por ser ardiloso e manipulador. Seu poder é o de controlar a mente das pessoas. O que eu pensei, até esse quarto episódio, que estava sendo desenvolvido. Durante os três primeiros capítulos é mostrado que ele passou pelo processo de terrígenese e o poder dele foi “virar um humano“. O que vai contra tudo o que o personagem representa.

Maximus, o grande vilão e irmão de Raio Negro, está irreconhecível na série. Foto: Divulgação.

Custei a acreditar nisso e pensei que ele pudesse estar escondendo as suas reais habilidades. Isso também poderia explicar algumas atuações ruins do programa e péssimas viradas de roteiro, afinal, a galera estaria sendo manipulada por ele. Porém, nesse quarto episódio o personagem está decidido a passar mais uma vez pelo processo para ver se ele ganha algum dom. Ou seja, superestimei os roteirista do show.

Inumanos é uma vergonha alheia. E o programa se tornou um grande problema para a Marvel Studios, pois nessa de universo compartilhado, se o programa for cancelado, o que será feito? Vão ignorar os personagens pra sempre? Vão esperar alguns anos, torcer para que o público esqueça essa aberração e relançar novamente?

Se Inumanos não melhorar muito, MAS MUITO MESMO, nos  episódios restantes, o caminho deverá ser mesmo o cancelamento.

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