Steve Rogers enfrenta terroristas de extrema direita que buscam restaurar os valores tradicionais

A Marvel Comics publicou nessa quarta-feira a revista Capitão América #13, com roteiro de Ta-Nehisi Coates (Pantera Negra) e arte de Jason Masters (Vingadores). Na revista o Sentinela da Liberdade enfrenta um grupo de terroristas de extrema direita.

Na última edição da revista do Capitão América, Steve Rogers abandonou o manto do herói após ser vítima de uma série de manipulações e fake news. Ele inclusive chegou a ser preso injustamente.

Mas mesmo não sendo mais o Capitão América, ele ainda está travando a bota luta e dedicando a sua vida para salvar os inocentes. Mas mesmo assim, nessa edição o escritor Ta-Nehisi Coates coloca Steve Rogers numa posição complicada.

Sharon Carter e a heroína latina Tigresa Branca trazem ao Steve uma missão bastante específica: salvar imigrantes ilegais que estão sendo caçados na fronteira dos Estados Unidos.

E é aqui que o roteiro de Coates fica afiado. Ao contrário do que é de se imaginar, o primeiro instinto de Rogers não é simplesmente ir resgatar os imigrantes. Ele questiona se deveria se meter no assunto.

Eu nunca concordei com o terror, mas Lei é Lei, não? Todos os países possuem fronteiras. Se nós vamos começar a concordar com atividades ilegais …” tentou argumentar Steve, até ser interrompido pelas heroínas.

Tigresa jogou na cara que conforme a Lei, o Capitão América foi condenado por um assassinato que não cometeu. Ela ainda dispara: “Pegue um jornal nas mãos, não há Lei nenhuma aqui“.

Sharon complementa apontando que a polícia não está fazendo nada em relação aos ataques sofridos pelos imigrantes.

Mas Steve realmente está confuso em relação a tudo isso. “O que nós estamos representando então? Pelo que estamos lutando? Os bandidos são apenas quem dizemos que são?” insiste o Sentinela da Liberdade.

A revista mostra em recordatórios que o eterno Capitão América está tendo dificuldade para enxergar as coisas nesses tempos modernos. Ele sente saudade da época em que os vilões estampavam suásticas nos braços, deixando claro que eram os vilões.

Para sorte do herói, ao chegar no local da missão, os terroristas caçando imigrantes eram os Cães de Guarda (Watchdogs no original). Confira como o Marvel Wikia define esses terroristas:

Os Cães de Guerra aparentemente são um grupo terrorista de extrema-direita que afirma ser dedicado a defender e restaurar os valores tradicionais americanos, e procuram impor suas opiniões morais sobre os outros usando violência, ataques terroristas e intimidação. Eles se opõe à pornografia, materiais obscenos, homossexuais, aborto e educação sexual, entre outros assuntos, e usam armas de fogo, vandalismo, assalto, sequestro e assassinato como suas táticas.”

Mas por qual motivo eu falei que essa era a sorte do Steve? Nessa atual aparição, os Cães de Guarda estão estampando a bandeira dos Confederados no rosto. Ou seja, fizeram justamente o que o ex-Capitão América tanto queria: colocaram uma marcação extremamente clara nos seus rostos para não deixar dúvida de que eles são os vilões.

Para quem não conhece, os Estados Confederados foi uma parte dos Estados Unidos que tentou a independência do país, durante a famosa Guerra Civil americana, com o fim de impedir a abolição da escravatura. Até hoje a bandeira é relacionada ao racismo, por ser usada por supremacistas brancos.

Então, quando Steve Rogers vê que as pessoas atacando imigrantes são confederados, ele não pensa duas vezes. Toda e qualquer dúvida que ele tinha somem instantaneamente.

Após impedir um massacre, Steve estava auxiliando os feridos. Foi quando uma mulher latina o questionou sobre o motivo do ataque. Rogers fala: “Ignorância. Ignorância e ódio“. Mas ela não acredita nisso. “Eu não sei. Ódio definitivamente sim. Mas parece ter algo mais aí. Possivelmente um plano maior?“, aponta a mulher.

O escritor Ta-Nehisi Coates está definitivamente se esforçando para atualizar o Steve Rogers aos tempos atuais, e isso não significa que o herói sairá ileso do processo.

A representação dele nessa HQ o colocou como aquele cidadão que não possui ou instiga o ódio, mas ao mesmo tempo acaba se tornando um agente passivo e facilmente manipulável, ficando em um limbo de sensações e incertezas. Ninguém questiona as intenções do ex-Capitão América, mas ele vai precisar começar a entender quem está semeando o ódio na população se não quiser ficar datado.

Vale destacar também que o autor Ta-Nehisi Coates é um importante escritor e jornalista negro que sempre escreveu sobre questões culturais, políticas e sociais. Ele também é filho de um membro original do Movimento dos Panteras Negras, grupo que na década de 60 lutava contra a opressão que os negros sofriam pelos policiais.

Ta-Nehisi Coates atualmente escreve as revistas do Capitão América e do Pantera Negra. Foto: Gabriella Demczuk/NYT .

Apesar da história focar, obviamente, nos Estados Unidos, é incrível quantas relações são possíveis de se fazer com o Brasil, não é mesmo?

Um adendo importante aqui é destacar que a revista do Capitão América, historicamente, sempre abordou questões políticas nas suas páginas. É sempre válido lembrar que na década de 70/80 o Steve Rogers deixou de ser o Capitão América, atuando então como Nômade, após se decepcionar com o Presidente dos Estados Unidos.

A história foi uma referência ao Caso Watergate, quando o Presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, foi flagrado em casos de corrupção e acabou renunciando.

Mas e você, caro leitor, o que está achando dessa nova fase do Capitão América? Gostando da abordagem dada pelo Coates? Deixe a sua opinião nos comentários.

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