Dicionário básico para leitores de quadrinhos mainstream

Muitas vezes os leitores, principalmente os novatos, são pegos em discussões na internet e têm contato com termos que nunca antes tinham ouvido. São termos típicos do nicho das histórias em quadrinhos. Para tanto, desenvolvemos esse simples dicionário, com explicações e exemplos do que cada termo significa.

Dicionário básico 

1. Arco

O arco é um conjunto de duas ou mais edições contínuas publicadas em uma revista mensal. O arco funciona nos quadrinhos de uma forma como os capítulos funcionam nos livros, sendo usado para delimitar partes/fases do trabalho de um escritor numa HQ. O arco possui no mínimo duas edições e não tem um limite máximo.

O run de um escritor, por exemplo, é composto por diversos arcos.

Exemplos de arcos:

“O Bom, o Mal e o Feio”, que possui 5 edições e foi publicado em Deadpool vol. 3 #15 a #19.

“Uma nação sob nossos pés”, que possui 12 edições e foi publicado em Pantera Negra vol. 6 #1 à #12.

“Fator de cura”, que possui 2 edições e foi publicado em Miss Marvel vol. 3 #6 e #7.

2. Crossover

O crossover é formado por pelo menos duas revistas que se juntam para contar uma história compartilhada. A trama revesa entre as HQs envolvidas até o final da história. O mínimo de edições necessárias para configurar um crossover é duas edições e não há um máximo.

Exemplos de crossovers:

Novíssimos X-Men/Guardiões da Galáxia: O Julgamento de Jean Grey.

Vingadores/Campeões: Mundos Colidem.

Gwen-Aranha/Teia de Seda/Mulher-Aranha: Mulheres-Aranha.

3. Equipe criativa

A equipe criativa basicamente é o pessoal envolvido na realização da HQ. Normalmente, de maneira resumida, fala-se em equipe criativa visando apenas o escritor e o desenhista, mas o termo também pode englobar os editores, letristas, coloristas e demais profissionais que trabalharam na publicação.

4. Filler

Se o arco é composto por pelo menos duas edições, o filler é aquela edição única que não pertence a nenhum arco. Normalmente, nas histórias mais grandiosas, entre arcos bombásticos/relevantes, há sempre um filler, que é uma edição de pausa, em que pouca coisa relevante à narrativa principal do run acontece e que também serve para dar um suspiro ao desenhista principal, contando muitas vezes com artistas convidados.

Exemplos de fillers:

Novíssimos X-Men vol. 1 #15.

Deadpool vol. 3 #13.

Thor: O Deus do Trovão vol. 1 #12.

5. Mainstream

Em uma tradução para o português, “mainstream” pode ser compreendido como “convencional”. Quando falamos de quadrinhos mainstream, normalmente nos referimos aos mais populares, como os da Marvel, DC e até alguns da Image, como The Walking Dead. São as revistas com um apelo mais massivo e menos experimental/independente.

6. Megassaga

As megassagas são as histórias mais grandiosas que as editoras costumam produzir. Envolvem um número absurdo de personagens, possuem uma revista própria e também geram uma série de tie-ins (veja a seguir o que é um tie-in). Não há um número determinado de edições que podem compor uma saga, sendo um fator é variável.

Exemplos de sagas:

Guerra Civil

Guerras Secretas

Império Secreto

7. Minissérie

As minisséries são histórias limitadas, com início, meio e fim. Possuem pelo menos duas edições e não tem um número máximo, mas normalmente duram no máximo 12 edições. Por ser algo já definido, costumam ter equipes criativas fixas, sem mudanças de desenhista no meio da história.

Exemplos de minisséries:

O Velho Gavião-Arqueiro, #1 a #12.

O Indigno Thor, #1 a #5.

A Morte do Wolverine, #1 a #4.

8. Mix

O mix é uma definição que usamos apenas aqui no Brasil, que não existe no mercado norte-americano. Nos Estados Unidos cada personagem possui a sua própria revista, publicada individualmente e com apenas uma HQ. Já no Brasil, é adotado o formato mix, em que é lançada uma revista reunindo duas ou mais HQs americanas. É por isso que, comprando, por exemplo, a revista Universo Marvel, é possível ler histórias do Hulk, Quarteto Fantástico, Nova e Inumanos.

9. OGN

OGN significa Original Graphic Novel. É uma linha de publicação que a Marvel criou no ano de 2013 e que trata de histórias publicadas diretamente no formato encadernado. São histórias com início, meio e fim, com exceção das tramas do Thanos de Jim Starlin.

Exemplos de OGNs:

X-Men: Chega de Mutantes.

Vingadores: A Ira de Ultron.

Thanos: Revelação Infinita.

10. One-shot

As one-shots são as revistas de uma edição só. Não são revistas mensais e nem minisséries, normalmente são publicações especiais ligadas a alguma megassaga. Vale destacar que uma HQ cancelada já na primeira edição, seja por qual for o motivo, não é uma one-shot, esse tipo de publicação é pensado desde o princípio para ter um capítulo apenas.

Exemplos de one-shot:

Infinity Countdown: Viúva Negra.

Cristal: Música X.

Reinado Sombrio a Lista: O Espetacular Homem-Aranha.

11. Plot

O plot é basicamente a ideia/argumento da revista. Por exemplo, o plot de Superior Homem-Aranha é o vilão Otto Octavius usando o corpo do Peter Parker. O plot da Poderosa Thor é a Jane Foster erguendo o martelo e sendo digna. E o plot de Vingadores do Jonathan Hickman é o multiverso estar morrendo.

12. Reboot

O reboot é quando a cronologia é reiniciada. Isso significa que tudo o que foi publicado até aquele momento deixa de valer e novas histórias serão contadas. Traduzindo, reboot é reiniciar, dar um novo início à cronologia. Se o que veio antes não é ignorado, então não é reboot.

Exemplos de reboot:

Heróis Renascem.

Novos 52.

Crise das Infinitas Terras.

13. Relaunch

Costumeiramente as pessoas confundem reboot com relaunch. Enquanto o primeiro reinicia a cronologia, o segundo reinicia a numeração das HQs, trata-se de uma estratégia puramente de marketing, para denotar um novo período criativo da HQ. A cronologia permanece intacta no relaunch, apenas a revista que antes, por exemplo, poderia estar na edição 800, agora retorna para a número 1, às vezes sob os cuidados de uma nova equipe criativa.

Exemplos de relaunch:

Nova Marvel.

Totalmente Nova e Diferent Marvel.

Renascimento DC.

14. Retcon

Os retcons são informações adicionadas de forma retroativa na cronologia. Para não precisar criar um reboot e reescrever tudo novamente, os escritores contam, de maneira retroativa, que algo que nunca havia sido mostrado antes, que aconteceu no passado, criando assim um retcon.

Exemplos de retcons:

O Capitão América havia morrido de verdade durante a Segunda Guerra Mundial: ele ter sobrevivido congelado é um retcon.

A Jean Grey havia morrido no final da Saga da Fênix Negra: ela estar presa em um casulo no fundo do oceano foi um retcon criado pela Marvel para trazer a heroína de volta.

O Bucky morreu na Segunda Guerra Mundial: ele ter sobrevivido e transformado no Soldado Invernal também é um retcon.

15. Revista anual

São edições especiais, com um número extra de páginas e que não contam na numeração normal das HQs mensais. Apesar de o título ser “anual”, não possuem a periodicidade definida como anual, são lançadas sem critério algum (pelo menos na Marvel).

Se o escritor da revista mensal precisar de páginas extras para contar a trama que está elaborando, ele escreverá a anual, caso contrário, equipes criativas distintas são convidadas para roteirizar essas publicações.

Exemplos de revistas anuais:

X-Men Red anual 1.

Fabulosos Vingadores anual 1.

Fabulosos X-Men anual 2.

16. Revista de grupo

Essa é bastante simples, são as HQs de super-equipes da Marvel. Vale qualquer grupo, de Vingadores e X-Men Thunderbolts e X-Factor, por exemplo.

17. Revista quinzenal

São as HQs publicadas com uma periodicidade diferente das mensais, saem de quinze em quinze dias, ou seja, uma semana sim e outra não. Devido a esse formato, os desenhistas não costumam ser regulares, pois o ritmo é muito apertado.

É um formato utilizado por revistas mais populares, como Homem-Aranha, Vingadores, Wolverine e Batman, pois duplicam o gasto do leitor.

18. Revista mensal

São as HQs mais comuns, sendo uma edição lançada por mês. Essas histórias não possuem um número limite de edições, a publicação costuma durar enquanto vender, podendo acabar e ser relançada na sequência com uma nova equipe criativa.

19. Revista Point-One

Essa é uma estratégia que a Marvel adotou no passado, mas tem utilizado pouco nos últimos anos.  Seriam revistas que serviriam como porta de entrada para novos leitores, a partir dessas edições seria possível começar a colecionar a HQ regularmente, mesmo que ela já estivesse em um número elevado.

Exemplos de Point-One:

Vingadores #12.1.

Ultimate Homem-Aranha 16.1.

Wolverine 5.1

20. Revista solo

São as revistas protagonizadas por heróis solo, que não são de grupo. Estão inclusas nessa definição as HQs do Thor, Capitão América, Homem de Ferro, Homem-Aranha e Capitã Marvel, por exemplo.

21. Run

O run é a corrida de um escritor em uma HQ, o período em que ele ficou escrevendo a revista. Alguns roteiristas possuem runs longos, outros são mais curtos, tudo depende do tempo em que ficam na publicação.

Exemplo de runs:

Espetacular Homem-Aranha vol. 1 #648 – #801 é o run de Dan Slott.

Ultimate Homem-Aranha vol. 1 #1 – #240 é o run de Brian Michael Bendis.

Visão vol. 2 #1 – #12 é o run de Tom King.

22. Saga de nicho

Se as megassagas são histórias grandiosas que envolvem um leque enorme de personagens, as sagas de nicho são histórias igualmente grandes, mas focadas em determinados grupos específicos de heróis. Como o próprio nome diz, envolve nichos, como por exemplo o do Homem-Aranha, Vingadores, X-Men ou o cosmo Marvel.

O formato pode variar, pode ter uma HQ própria, pode ser publicada em um formato semelhante ao de um crossover (mas com um número maior de revistas) ou pode se desenrolar em uma revista mensal. A saga de nicho também possui tie-ins, porém em um número menor do que as mega-sagas.

Exemplo de sagas de nicho:

Complexo de Messias.

Aranha-Verso.

Inumanos vs X-Men.

23. Status Quo

Esse termo é utilizado para representar o estado/contexto em que um personagem ou grupo está situado em um período específico. Por exemplo, o status quo dos Novos Vingadores após a primeira Guerra Civil era o de um grupo clandestino. O status quo do Peter Parker durante a fase Superior Homem-Aranha era “morto“. E o status quo de Norman Osborn durante o Reinado Sombrio era o de líder da segurança nacional americana.

24. Tie-in

São histórias derivadas das megassagas ou das sagas de nicho. Minisséries, séries mensais, quinzenais, revistas solo ou mesmo de grupo, todas podem se tornar um tie-in. A única exigência para isso é que o seu plot, durante o arco tie-in, esteja atrelado com a saga.

Os tie-ins costumam ser destacados na capa das HQs, com o logotipo da saga à qual estão conectados.

Exemplos de tie-in:

Tie-in da mega-saga Essência do Medo durante o run de Brian Michael Bendis nos Vingadores.

Tie-in da saga de nicho Inumanos vs X-Men durante o run de Jeff Lemire em Extraordinários X-Men.

Tie-in da mega-saga Império Secreto durante o run Dan Slott em Espetacular Homem-Aranha.

Termos técnicos sobre formatos de quadrinhos

Adamantium Collection – Encadernado do tamanho “porra, agora você tá de sacanagem”. O seu formato exclusivo da Marvel com proporções de 51cm por 33cm aproximadamente.

Antologia – Quadrinho que contém histórias de diversos criadores compiladas numa só publicação.

Banda desenhada – Termo utilizado para se referir ao quadrinho na França e em Portugal.

Capa principal – A capa principal de uma revista, aquela que historicamente vai estar atrelada com a publicação e será a referência.

Capa variante – Capa alternativa que as empresas lançam para incentivar a compra por parte dos leitores e lojistas. HQs populares podem ter dezenas de capas variantes, cada uma com uma ilustração diferente.

Commission – Arte bastante elaborada que o artista produz sob encomenda. Mas o importante é que não se trata de uma publicação oficial, é apenas uma ilustração avulsa que é vendida diretamente pelo artista.

Compendium – Encadernado americano geralmente em capa cartão e contendo por volta de 50 edições. É um formato mais adotado pela Image do que por outras editoras. Não costuma ser oversized.

Formatinho – Formato brasileiro predominante até os anos 90. Equivale a aproximadamente metade de um formato americano (o padrão atual) proporcionalmente.

Comparação entre os formatos: Treasury, Single e Formatinho. Foto: Jamesons.

Formato Digest – Quadrinhos americanos publicados em uma versão pocket, tamanho mangá.

Fumetti – Termo utilizado para se referir ao quadrinho na Itália.

Gibi – O termo era utilizado originalmente por um quadrinho publicado pelo Grupo Globo, porém acabou se popularizando como a nomenclatura brasileira para as HQs.

HC (Hard Cover) – Encadernado de capa dura americano. Sua proporção é 26,4cm por 17,8cm aproximadamente.

HQ – História em Quadrinhos. O plural é HQs, não HQ’s, uma vez que o ‘s indica POSSE, e não pluralidade.

Mangá – Termo utilizado para se referir ao quadrinho no Japão.

Manhwa – Termo utilizado para se referir ao quadrinho na Coreia do Sul.

OHC (Oversized Hardcover) – Um encadernado de capa dura americano com proporções maiores. Sua proporção é 28cm por 19cm aproximadamente.

Omnibus – Encadernado americano gigante. Geralmente de capa dura e também oversized. Pode conter um run inteiro ou partes dele (alguns runs tem revistas demais para um omnibus só). A verdade é que não existe um padrão específico para Omnibus, mas é costume conter pelo menos 25 edições, podendo ir até cinquenta-e-poucas em alguns casos.

Exemplo dos diferentes formatos que um Omnibus pode ter. Foto: Jamesons.

Single issue (ou single) – Revista mensal (ou quinzenal ou semanal, etc) americana, mas não vale o mix.

Scan – São as revistas impressas escaneadas e em um formato digital. O termo é utilizado para representar os arquivos online e ilegais, a popular pirataria.

Sketch – Desenho rápido que o desenhista faz e vende (ou ainda distribui), normalmente em convenções de quadrinhos. Mas o importante é que não se trata de uma publicação oficial, é apenas uma ilustração avulsa que é vendida diretamente pelo artista.

TP (Trade Paperback) – Encadernado americano de capa cartão

Treasury Edition – Edição single com formato tablóide (proporções ainda maiores que OHC). Sua proporção é 35,56cm por 25,4cm.

Volume – Pode significar duas coisas: 1) A cada vez que uma HQ volta ao número 1, inicia-se um volume novo daquele quadrinho. Por exemplo, quando Mark Waid começou a escrever o Demolidor, ele dava início ao Volume 3. O volume 1 foi iniciado por Stan Lee (e continuou com outros criadores como Wolfman, Miller, Nocenti, etc) e o volume 2 foi iniciado por Kevin Smith (e depois continuou com Bendis, Brubaker, etc). 2) encadernados também são medidos por volumes.

Zine – Revista publicada de forma independente e geralmente de produção artesanal.

Comparação entre os formatos: Absolute, Compendium e single. Foto: Jamesons.

E aí, conhecia todo os os termos? Tem algum que você não sabe o que significa e gostaria que a gente explicasse? Deixa nos comentários o termo que vamos atualizando aos poucos esse dicionário.

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