Deadpool 2 acerta ao humanizar a figura do Mercenário Tagarela

Quem diria que estaríamos em 2018 e celebrando mais um grande filme do Deadpool? O personagem, que acumula haters nas HQs, tem encontrado no cinema o seu mais sincero local de apreço. Com dois filmes de sucesso, o Mercenário Tagarela já é uma figura icônica da cultura pop.

Há de se reconhecer que não é uma tarefa fácil produzir uma continuação para o mega-sucesso que foi o primeiro filme de Wade Wilson. Com baixo orçamento e uma liberdade criativa quase que total, o protagonista Ryan Reynolds e sua trupe produziram um filme fantástico. E não é que ele conseguiu repetir a fórmula?

Deadpool 2 não traz consigo nenhuma novidade. Todo aquele tom de inovação que o primeiro longa trouxe, ao misturar humor bastante pesado com violentas cenas de ação, apenas se repete aqui. Porém, com um orçamento bem mais rechonchudo, todos esses méritos são elevados à um outro nível.

O mérito do filme é bastante simples e pode ser resumido em dois fatores. O primeiro é que tudo o que deu certo no primeiro foi aumentado.  Toda a ação mais hardcore não ficou focada em um terceiro ato vazio, mas foi equilibrada ao longo de toda a produção.

O mérito foi tanto que o espectador não consegue identificar exatamente quando ocorrem as transições do Ato 1, 2 e 3. Pois a ação é equilibrada o tempo inteiro e a própria narrativa, que novamente traz o Wade como narrador, não é tão linear como costumam ser os filmes de heróis.

O longa também é recheado de participações especiais. Tem um membro secreto da X-Force que não foi revelado nos trailers, outros dois vilões clássicos dos X-Men que ganham participações recorrentes em momentos pontuais da história.

Uma diversão a parte do filme é esperar os personagens revelarem os seus nomes, para termos certeza se eles são realmente a contra-parte em live action do personagem que lemos a anos nas HQs. São easter eggs que em nada interferem no andar da narrativa, mas fazem os olhos dos leitores lacrimejarem.

O segundo mérito do filme é o mais importante pra mim e o que, particularmente, serviu para que eu considerasse essa continuação melhor do que a obra original. O Deadpool não é um ser alucinado, completamente louco e sem noção nenhuma do mundo.

Ele é pirado, OK. Mas ele também tem sentimentos, uma bússola moral e é humano (da sua maneira). Gerry Duggan, que escreveu o personagem nas HQs de 2012 até a semana passada, sempre estabeleceu isso de forma bastante clara (e não é a toa que existe um easter egg ao Duggan no filme).

Existem diversas situações, ao longo de todo o filme, que vão moldando o emocional do personagem. É quase impossível não se importar e sentir os dramas do Wade. Desde o primeiro filme ele literalmente só tem se fodido, mas ele nunca desistiu de lutar pelo que é certo.

Então, da sua própria maneira deturpada, o longa transmite uma mensagem bonita. Nas entrelinhas, apesar da arriação, existem mensagens sobre o valor da família e como nunca devemos desistir. Nesse ponto, acho o filme bem semelhante a Guardiões da Galáxia vol. 2, pois ambos aprimoram tudo o que deu certo nos seus primeiros filmes e produzem duas continuações que trazem lições bem bacanas.

Algumas observações mais pontuais que eu acho pertinente fazer, é que os fãs mais fanboys de alguns mutantes coadjuvantes poderão sentir um desagrado devido a algumas escolhas do filme. Porém, há de se confessar tudo foi muito bem feito em um nível de ação e também é bastante engraçado.

O filme tem duas cenas pós-créditos, pelo menos na cabine de imprensa não foi exibida nenhuma cena lááááááá no final dos créditos. Então te poupa desse tempo perdido.

Deadpool 2 é dirigido por David Leitch (Atômica) e conta no elenco com Ryan Reynolds (Deadpool), Morena Baccarin (Vanessa), Zazie Beetz (Dominó) e Josh Brolin (Cable). O longa estreia oficialmente nos cinemas brasileiros no dia 17 de maio.

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