X-Men Red pode ser um marco na história mutante

X-Men Red #1 foi lançada hoje, completando a tríade de cores dos títulos de X-Men. O título conta a história da equipe liderada por Jean Grey, que recentemente foi ressuscitada pela Fênix, na minissérie Phoenix: Resurrection, que foi bastante comentada no site. A história traz indícios de ser uma trama com um viés político profundo. Confira a resenha sobre a revista abaixo.

Resumo da edição

X-Men Red se foca em segurança, de mutantes e humanos.

Jean Grey está de volta, exorcizada de vez da Fênix (pelo menos por enquanto) e disposta a mudar o mundo, garantindo segurança ao povo mutante. Essa é a premissa de X-Men Red, escrita por Tom Taylor (All-New Wolverine) e desenhada por Mahmud Asrar (All-New, All-Different Avengers). A revista se foca num passado recente, de dois meses antes da equipe completa dos X-Men de Jean Grey estar consolidada.

Junto de Noturno, Wolverine e Honey Badger, Jean participa do resgate de um bebê mutante que foi vítima colateral de um roubo de carros. Os poderes do bebê são brutais, rajadas sônicas com muito potencial para destruição. Com seus poderes telepáticos, Jean acalma a criança, mas não previne a ascensão de uma onda de ódio contra os mutantes. A mídia, baseando-se em segurança pública, passa a questionar a presença de mutantes não monitorados na sociedade.

X-Men Red também é uma revista sobre ódio.

A reação de Jean é reunir as mais inteligentes e criativas mentes do planeta para elaborar um plano de defesa frente a tanta opressão. A solução não é inteiramente divulgada na edição, mas parte dela consiste em estabelecer uma aliança com Atlântida, cujo rei, Namor, é um mutante. Com o apoio da legitimidade de Atlântida como uma nação reconhecida, Jean busca ter voz na ONU, para representar os mutantes. Considerando que os mutantes são vistos como uma comunidade única pela sociedade, é necessário que eles tenham representatividade política.

Na reunião, a embaixadora britânica se mostra muito resistente à fala de Jean, pautada na coexistência e tolerância de mutantes na sociedade. A representante, no entanto, revela não ser exatamente o que aparenta e Jean tem indícios que já há, entre os governos humanos, uma manipulação relacionada aos mutantes. O grande antagonista de X-Men Red é então revelado nesse momento e há a promessa de que o vermelho que nomeia a revista se relaciona ao ódio.

Por que X-Men Red é a história mutante de que precisávamos

Durante muitos anos, houve, na prática, uma negligência quase absoluta da questão primordial que norteia as histórias dos X-Men: a coexistência entre mutantes e humanos, o sonho de Charles Xavier.

O sonho é sempre citado nas histórias mais recentes, porém, desde Joss Whedon, com o plot da cura mutante, mas principalmente desde Grant Morrison, com o genocídio de Genosha e os U-Men, a questão não é explicitamente desenvolvida.

Entre sentinelas, alienígenas, inumanos, vingadores e viagens temporais, a intolerância humana foi muito negligenciada nos últimos tempos. Há 15 anos, o principal tema dos X-Men tem sido extinção, em diversas facetas, e nenhum autor havia conseguido fugir disso até agora.

Obviamente, uma única edição escrita por Tom Taylor não é garantia de um run bem sucedido, mas é válido ressaltar que o autor já começou com o pé direito. A edição é bastante focada no plano de Jean e sua postura frente ao sonho de Xavier.

Apesar disso, os demais personagens têm seu lugar: Noturno é representado como alma dos X-Men, e como crente fiel do sonho de Xavier e no plano de Jean, afinal, qual X-Man, senão ele, conhece de perto o preconceito humano?

Wolverine, por sua vez, tem seus interesses contemplados, já que sua grande missão como heroína é prevenir que mutantes sejam vítimas como ela foi dos piores interesses humanos. O Namor, como Jean ressalta, é um mutante que lidera uma nação, então não há motivo para que ele se abstenha de ter participação no movimento político de Jean.

X-Men Red é sobre representatividade.

A questão política trazida por Jean em X-Men Red de Tom Taylor é aquilo que Marc Guggenheim supostamente prometeu e falhou miseravelmente em entregar em X-Men Gold. Defendo que, neste momento, os X-Men precisavam ser expurgados de tanta fantasia e terem um enredo mais pé no chão, o que aparentemente ocorrerá nessa revista. É possível, nesse capítulo, que o leitor reconheça questões do cenário social e político que vê em seu dia-a-dia nos quadros.

Mahmud Asrar tem momentos medíocres na edição, sendo importante ressaltar que a revista tem páginas extras. Apesar disso, o desenhista tem um traço muito único e tal identidade é importante para a construção de um título novo como esse.

Há dois anos, Tom Taylor escreve a mensal da Wolverine e se mantém coerente e estável com os indícios iniciais da revista, que só avança em desenvolvimento e qualidade. Caso o autor mantenha essa constante, X-Men Red tem o potencial de se tornar mais um dos poucos runs de X-Men que não sucumbiu à trágica maldição dos X-Men, aquela em que o renomado escritor desagrada todos os fãs após tocar nos Filhos do Átomo.

X-Men Red é sobre o sonho de Xavier.

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