EXCLUSIVO! Entrevista com Peter David, o maior escritor do Hulk e X-Factor

Nós do Jamesons sempre tivemos como missão a tarefa de não apenas reproduzir notícias, mas também gerar conteúdo original e exclusivo, seja com matérias especiais, análises ou, como acontece hoje, com entrevistas.

Tivemos o privilégio de entrevistar o talentosíssimo Peter David, roteirista que fez história em revistas como Hulk e X-Factor e ostenta com louvor o título de maior escritor das duas HQs.

No seu currículo, David também traz a criação do Homem-Aranha 2099, da versão futura e vilanesca do Hulk chamada Maestro, o icônico arco chamado “A Morte de Jean deWolff” na revista do Homem-Aranha e também um Eisner de Melhor Equipe Criativa em 1992.

Peter David foi extremamente solicito com nosso pedido de entrevista, retornando nosso e-mail com pedido apenas cinco minutos após a solicitação ter sido enviada. Somos muito gratos pela atenção que recebemos.

Bom, sem mais delongas, eis a entrevista:

JAMESONS: Você é tranquilamente um dos melhores autores da sua geração. E é incrível o seu talento e capacidade de se atualizar com o passar dos anos. Suas histórias continuam interessantes e relevantes. Muitos roteiristas acabam presos em narrativas que faziam sucesso em outros tempos. Mas você acompanha as mudanças dos quadrinhos. Você consegue perceber essa sua maturidade?

Peter David: [Atribuo ao fato de estar] ficando velho. Basicamente isso. Se você não muda como roteirista conforme envelhece, você não está fazendo isso do jeito certo.

JAMESONS: Atualmente o roteirista Nick Spencer está retornando com o vilão Devorador de Pecados na HQ do Homem-Aranha. Eu revisitei a história original da morte da Jean deWolff e me ocorreu que não há uma explicação para a sua morte. O Devorador de Pecados a assassina, porém o motivo não é esclarecido na HQ. É correto presumir que foi feminicídio/crime passional? Qual foi a sua ideia original na elaboração dessa história?

Peter David: Se me lembro bem, eu deixei estabelecido em sua reaparição que eles eram amantes. Eu não acho que já disse o que era, mas suspeito que a Jean começou a suspeitar que algo estava errado com o Stan, aí o aspecto “Devorador de Pecados” de sua personalidade a viu como uma ameaça.

JAMESONS: A sua reinvenção do Madrox no início dos anos 2000 foi uma das ideias mais interessantes da Marvel que eu já vi. Da onde veio a inspiração de fazer o Jaime enviar suas duplicatas para absorverem conhecimento pelo mundo?

Peter David: [Veio da] minha esposa. Foi ela que inventou a noção de que diferentes Madrox deveriam ter diferentes personalidades. Eu decidi trazer um motivo para que essa divisão fundamental tivesse acontecido e decidi que ele teria enviado suas personas para aprender coisas, e como elas estavam tendo diferentes experiências de vida, isso basicamente mexeu com seus poderes de formas inesperadas.

JAMESONS: Ainda nesse nicho mutante, Layla Miller foi criada na saga Dinastia M, mas se consolidou como uma das personagens mais queridas pelos fãs em X-Factor. Quando você começou a escrever a mutante, recebeu junto alguma orientação sobre ela? Desde o início você já tinha em mente que ela sabia das coisas devido a viagem ao futuro que ocorreu em Complexo de Messias?

Peter David: Eu tinha liberdade para fazer o que quisesse com ela. O Brian [Michael Bendis] estava tão feliz que eu a usaria que ele nem estipulou nada sobre o que fazer com ela. Eu coloquei ela para dizer no começo [da run] que eles [Layla e Madrox] iam acabar se casando porque achei que seria uma fala engraçada. Quando ela foi transportada para o futuro, eu percebi que traze-la de volta crescida iria ter grande importância e então eles poderiam desenvolver um relacionamento romântico. É bem típico de minha pessoa: inventar algo sem um plano sobre o que vai acontecer e aí uns anos depois dizer “Eita, isso dá certo!”.

JAMESONS: Em X-Factor você resolveu o mistério que assombrava a franquia mutante por MUITO tempo. A relação de Longshot e Shatterstar. Quando escreveu esse roteiro, você havia usado algum tipo de entorpecente? (risos) Pergunto isso pois a sua solução foi muito funcional, faz sentido e ao mesmo tempo é uma das coisas mais loucas e inexplicáveis da franquia.

Peter David: Eu leio muito [Robert A.] Heinlein, o premiado escritor de ficção científica].

JAMESONS: Você reinventou o X-Factor no início dos anos 2000 e fez isso novamente em 2014 com o Novíssimo X-Factor. Ao todo você escreveu quase 200 edições da HQ. Há plots que você quis desenvolver e acabou não conseguindo?

Peter David: Eu não ligaria de explorar a trama da Serval Industries, mas eu duvido que vai acontecer.

JAMESONS: Ainda sobre X-Factor, teve algum arrependimento, uma ideia que você não gostou ou se arrepende de ter escrito? Mas principalmente, quais são os momentos que você mais sente orgulho dessa sua trajetória na equipe mutante?

Peter David: Arrependimentos? Tive alguns, mas poucos pra mencionar. Meu maior orgulho? O Jamie absorvendo seu bebê por puro fato de choque. E ter assumido Rictor e Shatterstar [como um casal], porque muitos fãs me disseram o quanto isso foi importante para eles.

JAMESONS: Em X-Factor você usou no elenco basicamente personagens que não são referência na franquia mutante. Alguns inclusive ganharam legiões de fãs devido ao seu trabalho. Esse elenco mais “humilde” de personagens te proporciona uma liberdade criativa na hora de desenvolver a história? Você montou essa equipe ao longo dos anos com isso em mente?

Peter David: Com certeza ajuda poder escrever personagens que ninguém liga. Muito menos pressão, muito menos gente te observando, muito menos interferência editorial. E, sim, eu planejei esse elenco desde o começo, embora tenha trazido algumas pessoas ao longo da jornada (como o Shatterstar) para manter [a história] interessante.

JAMESONS: Ainda nessa questão, as adições de Polaris e Destrutor, logo após a saga Cisma, foi uma decisão criativa sua ou uma sugestão editorial?

Peter David: Tenho certeza de que foi minha [decisão].

JAMESONS: Você é o maior escritor do Hulk. Algumas das ideias que você introduziu nas HQs do Gigante Esmeralda nós recentemente acabamos vendo nos filmes. Como foi para você ver essa adaptação? Vocês criadores são consultados ou são beneficiados de alguma forma quando suas ideias vão para o cinema?

Peter David: Eu fiquei emocionado ao ver o meu Hulk “fundido” em Vingadores: Ultimato. Não poderia ter ficado melhor. E não, eu não fui consultado ou recebi qualquer dinheiro por isso. Mas fui citado nos agradecimentos dos créditos finais, o que foi o suficiente.

JAMESONS: Para finalizar: nessa sua longa carreira na Marvel, há algum personagem ou equipe que você não escreveu e que gostaria de escrever ainda? Ou então uma revista pela qual você já passou mas gostaria de retornar para novas aventuras.

Peter David: Eu nunca respondo essa pergunta porque sempre fico preocupado em distorcerem a resposta em forma de crítica para o atual roteirista. Se eu disser “Quarteto Fantástico” ou “Thor”, ou “Doutor Estranho”, minha preocupação é que os fãs irão dizer “Peter David odeia o atual roteirista do Quarteto Fantástico, do Thor, Doutor Estranho e quer assumir o seu lugar”. É um problema que eu não preciso.

E então, caro leitor, o que achou da entrevista com essa lenda da Marvel? O Peter David é demais, não é mesmo? Mas agora nos diga, que outras entrevistas você gostaria de ver aqui no site? Deixe as suas sugestões nos comentários.

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