Entrevista com Rodney Barnes, o roteirista da HQ do Falcão

Quando anunciamos o lançamento do Jamesons, falamos que um dos nossos propósitos não era ficar apenas replicando notícias do mercado americanos. Queremos propor debates, fazer análises e, também, realizar entrevistas com algumas personalidades de destaque do mercado. E hoje começamos a dar mais um passo com o site, entrevistando o roteirista Rodney Barnes, responsável pela revista do Falcão após a fase de Sam Wilson como Capitão América.

Confira a entrevista exclusiva do Jamesons com Rodney:

Jamesons: Tanto em “Eu, a Patroa e as Crianças” quanto em “Todo Mundo Odeia o Chris” (programas de TV que Rodney roteirizou), o humor é uma tática amplamente utilizada para abordar, de forma inteligente, questões raciais. O que você aprendeu desses trabalhos que você busca incorporar nos quadrinhos, como em Falcão?

Rodney Barnes: Aprendi que há um modo de abordar um assunto delicado sem deixá-lo chato como xarope. Quão mais divertido é o percurso, mais as pessoas tendem a querer acompanhá-lo.

Sam WIlson voltou a ser o Falcão após a saga Secret Empire. Foto: Divulgação.

Jamesons: Qual é a sensação de escrever um personagem que tem sido um exemplo importante de representatividade na história dos quadrinhos dos últimos anos?

Rodney Barnes: É uma honra. O Falcão com o qual eu cresci era legal, mas claramente era só um parceiro, um suporte. Nos últimos anos isso mudou e o o Sam foi alçado ao primeiro escalão sob as mãos de pessoas muito talentosas. Espero não estragar tudo, haha.

Jamesons: O que te motiva a escrever Falcão e quais são suas principais referências para fazê-lo? Não apenas de outros autores de quadrinhos, mas referências culturais em geral, como eventos, músicas etc.

Rodney Barnes: Eu quero ser parte do próximo capítulo do personagem. Ele liderar os Vingadores e carregar o escudo do Capitão América o relacionou a temas mainstream. Abandonar tais funções deu a ele e a mim a oportunidade de dar atenção a outros aspectos do personagem. Aspectos mais complexos. Quanto às minhas referências, elas se resumem a coisas com que tenho contato na minha vida: filmes de terror, de velho oeste, psicologia… se você misturar tudo isso, se tudo der certo, você tem como resultado um prato bem saboroso.

O Falcão agora atua junto do seu parceiro, o Patriota. Foto: Divulgação.

Jamesons: Em termos de processo criativo, a literatura sempre usou de símbolos como um método efetivo para representar conceitos. Dito isso, de onde veio a ideia de simbolizar o crime de colarinho branco por meio do inferno, já que você está usando o Coração Negro como principal vilão do primeiro arco? Essa decisão de explorar elementos mágicos em Falcão será expandida (além da participação do Jericho Drumm)?

Rodney Barnes: Apenas no primeiro arco, não necessariamente no segundo. O fato de o Coração Negro ser um demônio dialoga mais com a nossa decisão de lutar ou não com nossos demônios internos. Enfrentando-os ou não, eles aparecerão. O inferno e as situações infernais que as pessoas enfrentam em circunstâncias miseráveis também é outro caso relacionado. Os demônios comandam o inferno e situações infernais são criadas por homens ruins. Quanto a sua pergunta sobre mágica, sim, no primeiro arco você verá mais mágica e personagens mágicos.

Jamesons: Claramente você está criando uma narrativa bastante única em Falcão, apesar de se basear em aspectos do run de Nick Spencer. O que você tem a dizer sobre desenvolver Sam Wilson, incorporando as abordagens passadas no seu trabalho mas sem se tornar repetitivo?

Rodney Barnes: Acredito que a ideia seja encontrar uma dificuldade interna que o personagem esteja enfrentando e então dar a ele um ambiente interessante e um antagonista para desenvolver a história. O run de Nick é tão incrível que sobrou pouco espaço para adicionar mais coisas ao Sam, mas creio que o que eu esteja adicionando seja interessante. Quanto a ser repetitivo, acredito que é uma questão de você sempre olhar pra frente e não se permitir ser um grande refém do passado.

Essa é a arte de Joshua Cassara, o desenhista regular da HQ. Foto: Divulgação.

Jamesons: O novo parceiro do Falcão não é o primeiro herói jovem da Marvel a assumir o manto do Patriota. Há alguma inspiração de Shaun Lucas quanto a Eli Bradley?

Rodney Barnes: Neste momento, não.

Jamesons: Como você tem planejado sua história sobre Sam Wilson? São planos a longo prazo? Vamos ver personagens relevantes da cronologia do Falcão na história, tais como o Demolição, Joaquín Torres e, em especial, Misty Knight?

Rodney Barnes: Sim. Devido ao run ter dez edições, eu planejei dois arcos de 5 edições. Então… não posso dizer nada sobre além da edição dez. Dito isso, acho que é tranquilo eu dizer que dois dos três personagens mencionados podem aparecer

Jamesons: A arte de Joshua Cassara é fantástica. Ela representa bem as trevas de um vilão infernal e a seriedade social do enredo. Como é a experiência de criar uma história com Cassara nessa relação entre escritor e desenhista?

Rodney Barnes: John é uma bênção e eu sou muito grato por tê-lo como parceiro e, agora, como amigo. Como colaborador, ele incluiu muita perspectiva e experiência ao meu processo de escrita já que eu ainda sou novato nesse meio. Mas, como você disse na questão, o trabalho dele é fenomenal.

Rodney (esquerda) e Cassara (direita) autografando a primeira edição do Falcão. Foto: Instagram.

Jamesons: Rodney, não temos certeza se você sabe disso, mas “Eu, a Patroa e as Crianças” e “Todo Mundo Odeia o Chrissão séries de TV de muito sucesso no Brasil. Ambos os programas foram exibidas por muitos anos na TV aberta brasileira. Portanto, saiba que os fãs brasileiros têm um carinho especial por seu trabalho recente nos quadrinhos.

Rodney Barnes: É muito bom saber disso! Talvez um dia eu tenha a chance de visitá-los e então trocaremos ideias.

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