“Avengers: No Surrender” – Uma retomada às origens?

Em janeiro do ano que vem, a Marvel dará início a um mega-arco chamado “No Surrender” estrelando todas as equipes de Vingadores da atualidade. O título Vingadores se tornará semanal a partir da edição #675 e reunirá as equipes criativas das HQs Vingadores, Fabulosos Vingadores e U.S. Avengers em 15 edições. A história promete chacoalhar o status quo do time assim como a história “Vingadores: A Queda” de Brian M. Bendis e David Finch fez no ano de 2004. Suspeitamos que esse arco sirva como uma aceleração da numeração da revista para chegar logo ao número #700, preparando terreno para um run de Jason Aaron (Thor, Doutor Estranho e Wolverine e os X-Men) para a franquia dos Vingadores.

Capa variante de Vingadores #676 por Alan Davis, apresentando a formação do run de Jim Shooter. Foto: Divulgação

Até lá, estamos ansiosos para ler sobre um membro perdido dos Vingadores originais, a misteriosa Voyager, e as ameaças representadas pela Ordem Negra e pela Legião Letal em “Avengers: No Surrender”. Este texto discute como esse novo arco pode representar a retomada de elementos enterrados desde “Vingadores: A Queda”.

Desde os primórdios da Marvel moderna, os Vingadores são considerados o principal time de super-heróis do planeta. Apesar disso, no gosto do público real, eles não eram tão populares quanto os X-Men, o Homem-Aranha, o Hulk ou o Quarteto Fantástico. Apesar de runs aclamados pela crítica, como os de Roger Stern e de John Byrne, a franquia nunca vingou em popularidade. Já comentei com alguns amigos que isso se explica pelo fato de eles sempre terem sido tão caretas. Excessivamente formais, os Vingadores tomavam chá numa mansão, sendo servidos por um mordomo. Além disso, muitos de seus vilões se pautam em problemas familiares: como Ultron e seu complexo de édipo e o Ceifador, fissurado pela ideia de recompor sua família, destruída pelo Visão em sua interpretação deturpada, o que não corresponde muito bem à ideia de uma equipe tão formal e burocrática.

Tudo isso mudou de forma permanente na edição #500 do título Vingadores, quando Brian M. Bendis e David Finch destroçam o time para recompô-lo em Novos Vingadores #1 (2005), abandonando a formalidade e a mordomia almofadinhas e trazendo uma força de elite eficiente e carismática, contando com heróis como Wolverine, Homem-Aranha e Luke Cage. Bendis varreu para debaixo do tapete quase tudo o que sustentava as histórias do time há mais de quarenta anos, apesar de se remeter esporadicamente a um ou outro símbolo mais marcante da época. Mas as minúcias, para o bem e para o mal, foram abandonadas. De fato, essa atitude do autor garantiu que os Vingadores se tornassem carro-chefe da Marvel por anos, algo inédito. Com vendas altas, críticas favoráveis e alto clamor do público, Novos Vingadores é uma das iniciativas mais importantes e bem-sucedidas da Marvel até hoje.

Após Bendis, dois escritores assumiram a revista principal dos Vingadores e muitos outros escreveram títulos menores. Jonathan Hickman não alterou muito a dinâmica deixada por Bendis, focando-se em uma história maior e mantendo o time nos moldes de seu predecessor. Apesar de expandir a formação do time, Hickman passa muito longe de Jim Shooter, Roger Stern, Bob Harras ou Kurt Busiek, autores mais antigos que consolidaram o imaginário do time pré-Bendis. Já Mark Waid, o escritor atual, inovou ao trazer jovens heróis para compor a equipe, formando uma nova versão dos Campeões, mas também se remeteu pouco a histórias e enredos mais antigos. Gerry Duggan, Dan Slott, Al Ewing, Ed Brubaker, Rick Remender, Kieron Gillen, Kelly Thompson e outros, são exemplos de autores que tocaram na franquia em títulos secundários e são referências de autores que pouco resgataram o clima pré-Bendis.

“No Surrender” será escrita por Waid, Ewing e o recém-chegado Jim Zub mas já demonstra o potencial de retomar elementos antigos da franquia, agregando a eles inovações. O enredo principal do arco se baseia em um jogo do Grão-Mestre (que estreia no universo cinematográfico em Thor: Ragnarok). A Terra será roubada e os Vingadores precisarão se mobilizar e enfrentar inimigos antigos e novos nessa aposta de proporções cósmicas. Histórias que envolviam o Grão-Mestre e seu irmão, o Coletor, eram comuns antes de Bendis, mas foram esquecidas com os anos. Enquanto isso, personagens que nunca imaginaríamos ver de volta à franquia estarão presentes no arco, como o Relâmpago (Vivo).

Apesar de não ser possível estipular com certeza o que vem após “No Surrender”, é possível supor que será um arco saudosista, mas inovador, que percorrerá momentos da cronologia dos Vingadores há muito esquecidos, para a alegria de fãs antigos e novos.

Party Poster de George Pérez para Vingadores #675. Foto: Divulgação
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