10 Histórias em quadrinhos da Marvel em 2018 que você não pode deixar passar

O ano de 2018 foi especialmente ótimo para os leitores da Marvel Comics. O final da fase All-New All Different Marvel e o início de Fresh Start trouxeram muitas revistas de qualidade.

Nosso propósito aqui é destacar as nossas leituras favoritas em 2018. As HQs que mais nos trouxeram satisfação. Para isso, compartilharemos nossas impressões com vocês, para que caso seja de vosso interesse, também possam buscar tais leituras.

Destaco ainda que a lista não está elencada por qualidade, mas sim aleatoriamente a partir das indicações dos membros do site. Então, sem mais delongas, vamos pra lista:

1° – X-Men Red

Indicação de Gustavo Monlevad.

Que os X-Men foram criados como analogia ao movimento negro dos anos 60 nos Estados Unidos todo mundo sabe. O velho embate ideológico sobre um confrontamento real, personificado por Malcolm X, e uma política de não violência que até o Dr. Martin Luther King Jr. admitiu ter sido um “sonho ingênuo” ao final de sua vida (Magneto estava certo).

X-Men Red pega o discurso da opressão – pouco retrabalhado e deixado parcialmente de lado nas revistas mutantes nas últimas décadas – e atualiza com questões contemporâneas. A vilã eugenista, que se pensa raça superior, cria notícias falsas em redes sociais para promover políticas de ódio contra a raça mutante. Afiado e preciso, trabalha a belicização da pós-verdade contra minorias historicamente reprimidas. Bem pertinente em épocas de Trump e Biroliro.

2° – O Imortal Hulk

Indicação de Gustavo Monlevad.

O Hulk nunca me chamou muita atenção. A dualidade Jekyll/Hyde me parece uma questão rara quando, na Marvel, o monstro almeja ser o médico. Em O Imortal Hulk – que, como nos lembra a Sandy Jr., não morre no final – o verdão finalmente se tornou aquele monstro de que tanto ouvi falar há anos. Sádico, poderoso, imparável e incansável. Em algumas edições, cheguei a ficar com pena dos antagonistas.

Os contos de horror de Ewing são acompanhados pela arte precisa de Joe Bennett, que aqui parece se reinventar como nunca. Seu traço é forte e assertivo, não hesita. Bebe em fontes cinematográficas, seja na construção dos planos ou homenageando filmes consagrados, como Lobisomem Americano em Londres. Num canto cínico do Universo Marvel, o protagonista responde a altura.

3° – Fugitivos

Indicação de Jorge Mendes.

Talvez a revista mais ignorada da Marvel, Fugitivos foca nos personagens e não em super vilões e planos infalíveis, e assim conseguiu fechar algumas pontas soltas de volumes anteriores enquanto traz novas tramas para os personagens.

A HQ funciona tanto para os fãs da fase BKV/Alphona quanto para novos leitores. Tudo graças ao trabalho excelente de Kris Anka (Fabulosos X-Men) e Matt Wilson na arte e ao roteiro de Rainbow Rowell que com sua experiência com material para jovens adultos soube dar voz a cada um dos personagens sem parecer artificial ou exagerado.

4° – Doutor Estranho

Indicação de Jorge Mendes.

Foi um ano excelente para o personagem na Marvel. Na primeira metade do ano com o final da fase de Donny Cates (Venom), que apesar da mediana Damnation, manteve o bom nível na mensal do personagem.

Depois, no Fresh Start, a trama do fim da magia foi usada como ponto de partida para uma exploração espacial, resultando em um dos melhores lançamentos da fase. O roteiro de Mark Waid (Demolidor), em momentos com uma narração que lembra literatura épica, e a arte não menos fantástica de Jesus Saiz (Capitão América) deram o tom da revista, que aumentou o universo do personagem mas mantendo suas características.

5° – Tales of Suspense

Indicação de John Matos.

Das cinzas do Império Secreto, quando a Viúva Negra foi publicamente executada pelo Capitão América da Hidra, o Gavião Arqueiro e o Soldado Invernal tentam solucionar o mistério do suposto retorno de Natasha Romanoff. Teria a Viúva sobrevivido? Forjado a própria morte? Se não, quem está matando seus antigos inimigos?

Escrita por Matthew Rosenberg (Fabulosos X-Men) e com a arte de Travel Foreman (Supremos 2), a revista combina mistério, ação e comédia na dose certa. A dinâmica entre os dois ex-namorados da Viúva é divertidíssima e a trama instigante de espionagem, repleta de reviravoltas. Um achado de 2018, que recebeu muito menos hype do que deveria.

6° – A Vida da Capitã Marvel

Indicação de John Matos.

Mirando no filme do ano que vem, A Vida da Capitã Marvel chega para recontar a origem da heroína mais importante do universo Marvel nessa década. Com o roteiro de Margaret Stohl (Capitã Marvel) e arte de Carlos Pacheco (Occupy Avengers) e Marguerite Sauvage (Bombshells), aqui vemos Carol Danvers mais humana, tendo que lidar com os fantasmas do passado e deixando o heroísmo um pouco de lado.

Diferente do últimos volume, escrito pela mesma roteirista, essa revista não é uma trama de batalhas espaciais (embora tenha uma pequena dose de ação no fim); é sobre dramas familiares, sobre descobertas e, principalmente, é sobre a nova origem dos poderes da Capitã, dando a ela o protagonismo definitivo sobre sua própria história. Vale a pena pela importância dessa nova origem!

7° – X-Men Black

Indicação de Marcos Heck.

X-Men Black foi uma série de cinco one-shots que a Marvel lançou e que tinham o foco, cada edição, em um vilão dos X-Men. Sendo assim, Magneto, Mística, Mojo, Emma Frost, Fanático e o Apocalipse ganharam histórias solos desenvolvendo as suas personalidades.

Apesar de eu ter ficado bastante cético ao anúncio desse material, o resultado foi maravilhoso. As equipes criativas foram inventivas e souberam desenvolver em cerca de 20 páginas os personagens de uma forma que poucas vezes eles foram antes em runs inteiros. Destaque especial para a edição focada em Magneto, que possui roteiro do lendário Chris Claremont (Fabulosos X-Men).

8° – Sr. e Sra. X

Indicação de Marcos Heck.

Vou ser sincero com vocês: sempre odiei fortemente a Vampira e o Gambit. O relacionamento deles se arrasta desde a década de 90 e nunca anda pra frente. O casal fica em um loop eterno de brigar por besteira e se afastar. Mas a escritora Kelly Thompson (Gaviã-Arqueira) mudou isso.

Thompson escreveu no início do ano a mini Vampira & Gambit, que funciona como um prequel dessa nova HQ. E em ambas revistas ela desenvolve muito bem a dinâmica de relacionamento entre os dois mutantes. O resultado é uma revista prazerosa de se ler, com uma vibe semelhante a de uma sitcom bem escrita, onde os diálogos não são apenas engraçados, mas servem para caracterizar os personagens.

Vampira e Gambit se tornaram um dos principais casais da Marvel. Há muito amor e tesão no relacionamento dos mutantes. De quebra, a arte de Oscar Bazaldua (Homem-Aranha) combina muito bem com o tom da série.

9° – Homem-Aranha (de Dan Slott)

Indicação de Eric Carvalho.

O arco Go Down Swinging* finaliza o longo reinado de 10 anos de Dan Slott como escritor principal do Homem-Aranha. O autor fecha todas as pontas soltas de sua saga em uma aventura épica que envolvendo o retorno de Norman Osborn em seu merecido posto de maior vilão do Homem-Aranha, e como não poderia faltar, colocando a Tia May, Mary Jane e Harry Osborn em sérios apuros.

*”Caia se Balançando” é uma tradução livre; Go Down Swinging é um trocadilho proposital com o significado real: “Caia lutando“.

10° – Venom

Indicação de Eric Carvalho.

Após surpreender como nova revelação da Marvel com seu trabalho nos títulos de Thanos e Doutor Estranho, o escritor Donny Cates está de volta com mais um título inusitado que vem batendo de frente com os carros chefe da editora. Venom de Cates reconta as origens do simbionte, em uma trama que envolve desde o passado do Capitão América e de Thor, até dragões alienígenas e deuses ancestrais cósmicos.

A arte de Ryan Stegman (Wolverine) é densa e sombria, combinando com o tom da narrativa. Visitamos, mais uma vez, a mente torturada de Eddie Brock e sua relação com o simbionte, algo que já vinha sendo explorado desde a run anterior, de Mike Costa.

Neste título, Cates sabe dosar bem tons de suspense e terror psicológico, mas sem abandonar o “massavéio” que costuma abusar nos outros títulos. Apesar da atmosfera de terror sci-fi, Venom é uma história sobre dois amigos desgraçados e castigados pela vida, mas inseparáveis até as últimas consequências. Sem dúvidas, uma das melhores surpresas da Marvel em 2018, ao lado de Immortal Hulk.

BÔNUS dos Parkers:

Estes três garotos leem e se engajam fortemente com as histórias em quadrinhos. Eles trazem uma perspectiva diferente para o site. Eles não são adultos, não são militantes e não são conservadores, em tese eles deveriam ser o público alvo dos quadrinhos de heróis: eles são os Parkers.

11° – Motoqueiro Fantasma Cósmico

Indicação de Pablo Luiz.

Motoqueiro Fantasma Cósmico não é a revista que queríamos, mas a HQ que precisávamos. Quando você começa a ler o foco está totalmente no humor, mas gradualmente o drama começa a tomar conta da revista. E olha que o plot é o mais insano possível: O Motoqueiro viaja ao passado e decide criar o Thanos bebê para que ele não se torne um monstro no futuro.

A arte de Dylan Burnett (X-Force) combina muito bem com o roteiro de Donny Cates (Venom), entregando tanto as cenas de ação, quanto as de humor e drama. Apesar de ser uma leitura rápida, a revista é muito mais do que aparenta.

12° – Marvel Dois-em-Um

Indicação de Fábio Borges.

Marvel Dois-em-Um merece ser reconhecida como uma das melhores histórias em quadrinhos do ano pela essência simples no geral, acompanhada por uma história que cativa e prende a atenção do leitor.

A dupla que protagoniza a HQ na maioria das edições é formada por Tocha Humana e Coisa, e o escritor Chip Zdarsky (Demolidor) mostra novas facetas e sentimentos dos personagens. Explorando a ausência do Quarteto Fantástico e a esperança dos protagonistas em encontrarem os seus amigos.

A falta do Quarteto inteiro se faz presente durante toda a HQ, mas isso não atrapalha o andamento da história, pelo contrário, é um gatilho constante para ela. Zdarsky faz aqui um trabalho brilhante, não é a atoa que foi o escolhido para ser o novo responsável pela mensal do Demolidor.

13° – Tony Stark: Homem de Ferro

Indicação de José Ronaldo.

Tony Stark: Homem de Ferro é um título que se propôs a misturar elementos de Rick e Morty com Black Mirror e de fato está fazendo isso. O Homem de Ferro é um dos meus personagens favoritos e ver ele nas mãos de um autor como Dan Slott é gratificante. Em todos esses anos, acho que o assunto “tecnologia” e principalmente as Inteligências Artificiais, nunca foram tão abordadas com o personagem como nesse run, mostrando sua influência e o impacto nas pessoas ao redor do Stark.

Cada edição tem um tom bem específico, linear e pragmático, entregando uma história coesa e explora o melhor do personagem:

  • personalidade;
  • as mulheres de Tony;
  • o significado de ser o Homem de Ferro.

A arte do Valerio Schiti (Guardiões da Galáxia) é um agrado aos amantes das HQs. Inúmeros cenários e armaduras são apresentados, saindo do conceito clássico de “uma armadura oficial” (mesmo que nos outros títulos ele use somente a extremis). Realmente, um quadrinho incrível!

Essa foi a nossa lista das melhores HQs que a Marvel lançou em 2018 na nossa opinião. Mas e você, caro leitor, concorda ou discorda dos nossos apontamentos? Deixe a sua lista de melhores do ano nos comentários.

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